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Valores da nossa Aos 18 anos rumou a Coimbra para estudar Direito mas o ‘bichinho’ do jornalismo falou mais alto e fê-la trocar as leis pelas reportagens. A castelo-vidense Ana Carolina Sequeira é, aos 25 anos, pivô no canal A Bola TV e começa a construir uma carreira que se deseja de sucesso. Trabalho, saudades, sonhos… Numa autêntica viagem no tempo, conversámos com a jovem jornalista na Escola Garcia d’Orta, onde estudou em criança e da qual guarda muitas memórias. Como é que se chega a “pivô” d’A Bola TV aos 25 anos? Ana Carolina Sequeira (ACS): Não sei dizer como é que se chega, foi muito estranho, até. Eu saí da faculdade e tinha noção que seria muito difícil arranjar trabalho na área, então decidi deixar Coimbra e tirar o mestrado em Lisboa. Consegui um estágio de três meses no jornal O Metro mas não foi possível continuar porque não era remunerado. Entretanto, ironia das ironias, estava cá em Castelo de Vide, numa festa de Verão, quando recebi um telefonema - através de uma amiga - em que me falaram de um novo projeto. Isto foi em Setembro do ano passado, enviei o currículo e, em Outubro, fui chamada para uma primeira entrevista. Fui depois a uma segunda e acabei por ficar. No entanto, não fui contratada com o intuito de ser pivô. Inicialmente fiz o Flashnews, um formato em que apresentamos em pé, mas passado algum tempo, quando começámos as emissões na Internet, o meu chefe disse-me: “amanhã vais apresentar um jornal sentada”. Foi o pânico para mim! (risos) Mas ele acabou por gostar e passei a apresentar jornais com mais regularidade e, agora, faço-o quase todos os dias. O jornal A Bola é uma grande referência na informação desportiva em Portugal. Há uma responsabilidade acrescida em fazer parte deste projeto? ACS: Há, sem dúvida. Não só o fazer 16 parte deste projeto, como também o estar dentro daquele edifício porque de todos os órgãos de Comunicação Social que antigamente tinham sede no Bairro Alto, apenas A Bola ficou, todos os outros saíram para edifícios novos ou recuperados. Além disso, e muito por influência do meu pai, desde cedo comecei a ler o jornal e entrar naquele local e poder dar caras aos nomes que costumava ler, e conseguir falar com essas pessoas como falo com amigos meus… Isso ainda traz mais responsabilidade, principalmente quando temos essas pessoas em estúdio connosco, a comentar. Por um lado penso “sou jornalista, tenho que o questionar” mas, por outro, estou ali e estou a absorver a informação e muitas vezes imagino “será que quando eu tiver a idade deles vou ter todo este conhecimento, será que vou ser tão boa jornalista?” Vive o desporto diariamente. Existe alguma personalidade desportiva que admire particularmente? ACS: Vou destacar um jornalista desportivo. Admiro bastante, pela criatividade, pelo bom-senso e principalmente pelo profissionalismo, o Alexandre Santos da RTP. Para mim é uma verdadeira referência no mundo do desporto. Inicialmente ingressou no curso de Direito. Como surgiu, então, o jornalismo? ACS: Ainda hoje não sei muito bem, penso que já tinha cá dentro o ‘bichi

a terra nho’ do jornalismo mas só o descobri mais tarde. Terminei o secundário e não fazia ideia do que queria seguir e, depois de fazer uns exames psicotécnicos que apontaram para a área de Direito, decidi ir por aí. Mas, logo no início, percebi que não era aquilo, não tinha nada a ver comigo ou com a minha personalidade. E aí é que houve um ‘click’ e pensei “é jornalismo o que eu quero”. Aquela sensação de ir para a rua e não saber o que se vai encontrar, abordar desconhecidos que tanto podem ser simpáticos como o contrário. Esse inesperado e esse dinamismo fascinam-me mesmo! No afastamento a que a profissão obriga, as saudades de Castelo de Vide estão presentes no dia-a-dia? Como é que se gerem? ACS: As saudades estão presentes e cada vez mais. Quando estava a tirar o curso vinha a casa habitualmente de duas em duas semanas e acabava por nem ‘reparar’ muito nessa coisa das saudades. Agora a trabalhar é diferente, normalmente venho cá apenas de cinco em cinco semanas e é mesmo muito estranho. É inexplicável, tenho mesmo muitas saudades disto, da terra, das pessoas, de toda a gente se cumprimentar na rua… E essas saudades vão-se gerindo falando com os pais, com a irmã, ligando aos amigos e aproveitando quando venho cá. E este sítio (Escola), o que é lhe diz? Que memórias traz? ACS: (risos) Se calhar foi aqui que tudo começou! Foi aqui que comecei a adorar português e foi aqui que eu fiz grandes amigos. É, sem dúvida, um local importante. (pausa) É engraçado que ao entrar aqui hoje, claro que está tudo muito diferente, mas o cheiro ainda é o mesmo! As paredes estão pintadas mas são aquelas paredes. As mesas, as cadeiras estão cá passados doze anos! É muito estranho voltar aqui, pareço outra vez uma miúda de 12/13 anos à espera que a professora entre para iniciar a aula… Nem consigo expressar o que sinto mas é como voltar aos tempos de criança. Crescer aqui foi bom porque… ACS: Porque define aquilo que eu sou. Muitas vezes dizem-me que sou boa pessoa, pois eu não tenho a mínima dúvida que se não tivesse crescido aqui, não seria assim, não seria quem sou. Crescer aqui é liberdade, é silêncio e barulho ao mesmo tempo, é frio mas sol… Definitivamente, é ser aquilo que eu sou. Uma ambição de vida? ACS: Ser mãe. Tenho a certeza que, para me sentir completamente reali- zada, tenho que passar por essa etapa. Acho que não vou ser completamente feliz se chegar aos trinta e poucos ou aos quarenta – mesmo com uma carreira no auge – e não tiver sido mãe. É um grande objetivo meu. Com os olhos de quem conhece bem esta vila mas já não vive aqui, tem alguma ideia para Castelo de Vide? ACS: Acho que devia apostar-se mais nos jovens. Eu tenho noção que aqui não é fácil criar emprego para os jovens, mas deviam ser criadas mais condições para eles cá ficarem. Aqui temos espaços desportivos que muitas cidades não têm! Eu lembro-me quando era mais nova e ia ver os jogos de futebol, vinham muitas pessoas dos arredores ver os jogos, aliás havia muitos jogadores de outras localidades. O desporto chama gente! Se chama gente, melhora a economia, se melhora a economia a vila cresce. Acho que podia ser por aí. Aos 25 anos há muitos sonhos por realizar? ACS: Há, sem dúvida. Ser mãe, casar e, em termos profissionais, melhorar sempre. Sempre. Todos os dias tento melhorar, pode ser que assim chegue mais longe (risos). Agradecimento: Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide 17

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